Quinta-feira, 5/Março/2009

Pobre Douglas…

Virou mania nacional. Até o Datena resolveu dizer que o Douglas é caso de polícia. Tudo porque ele cometeu o maior dos crimes: não passou a bola para o Ronaldo, no dia da celebração de seu retorno ao Corinthians.

Esquecem-se, todos esses vorazes críticos, que não era apenas “a grande estreia” de Ronaldo. Era a partida mais importante do Corinthians na temporada até agora. A vitória por dois ou mais gols significaria livrar uma partida de um calendário apertado. Mais tempo para treinar. Na visão da competição, a volta de Ronaldo era um tema secundário.

Mas, obviamente, ter um popstar no time nunca é secundário. Em plano inferior estão os demais jogadores. Entre eles, Douglas, o novo vilão da imprensa, do mundo. Tudo porque, num lance em que recebeu sozinho a bola, sem ninguém à sua frente, o meia habilidoso mirou o ângulo e a bola passou raspando a trave. Mas, ao seu lado, estava Ronaldo, o maior artilheiro de todas as Copas, voltando após 1 ano e 19 dias parado pela enésima contusão do joelho. E o meia alvinegro não lhe passou a bola. Pecado mortal.

Essa algazarra danada parte do pressuposto que Ronaldo jamais perderia aquele gol. Mesmo gordo, um pouco desengonçado ainda e visivelmente fora de forma. Brincando no mundo do “E se…”, e se Ronaldo não marcasse? Haveria gente falando que o time não levou a partida a sério, preferiu fazer festa para a estrela em seu retorno. E se Douglas fizesse o gol? Ainda assim, seria chamado de fominha? Pior: e se Ronaldo fizesse o gol, mas o Corinthians levasse outros dois na seguida e, com 3 a 2, houvesse a partida de volta? O mundo estaria feliz, mas o objetivo do time não teria sido atingido.

Ora, poderíamos tentar enxergar com outros olhos. Poderíamos termos visto que o time não está deslumbrado com a presença de um fenômeno no grupo – Douglas, em vez de se preocupar com a festa, viu a chance de marcar um gol, tentou fazê-lo e, por pouco, errou -, os jogadores estavam focados em conseguir alcançar seu objetivo, eliminar a partida de volta. Conseguiram, sem muito mérito, é verdade (o pênalti do primeiro gol não aconteceu e o Itumbiara chegou a ameaçar a meta alvinegra). Mas, a folga está garantida.

Entendam: o gol de Ronaldo é secundário. O Corinthians é a prioridade – mesmo que a mídia do mundo todo, sedenta por jornais e revistas vendidas e números do audiência e pageviews,  só se interesse pelo atleta. Para o “investidor principal”, o clube, de nada adianta trazer o “fenômeno” se não vier, pelo menos, a vaga na Libertadores em 2010, o quase sempre fatídico ano de centenário.

Já Douglas, bom… até o atacante fazer seu primeiro gol, o meia vai ter que dormir com o barulho da imprensa. Amenizaria as coisas se deixasse as atuações apagadas para trás e pelo menos jogasse um pouquinho mais de acordo com seu potencial.

Quinta-feira, 15/Janeiro/2009

Testando

Feliz ano novo!
Estou em fase de testes. Primeiro reaprendendo a escrever em português, graças às mudanças do acordo ortográfico.
Agora, também verificando se esse tal de ScribFire vai me fazer postar mais por aqui.

Enquanto isso, ao lado dos colegas de sanatório metalístico, Thiago Sarkis e André Pase, estamos tocando o solada. Nos vemos com mais frequência – como eu quero meu trema de volta!

Segunda-feira, 17/Novembro/2008

Patético

Já deu no saco essa lenga lenga de que o campeonato brasileiro é sensacional. Não é. Não está nem perto de ser. E falo isso com a isenção de um corinthiano, longe da disputa, e admirador de uma coisa rara nesse certame, o futebol, algo difícil de se encontrar nesse emaranhado de mediocridade chamado Brasileirão.

A imprensa vem perpetuando imensas bobagens. Dizem que o nível técnico do Brasileirão é igual ao de um campeonato europeu. Bom, fiquemos com o decadente e “retranqueiro” Calcio. Obviamente, uma partida entre Chievo e Udinese tende a não ser grande coisa. Mas, dirão os Iludidos, Inter e Udinese foi um porre. Sim, foi. Mas há uma imensa diferença.

Quando Inter e Udinese se enfrentaram, havia tentativas de jogadas: de um lado, uma defesa forte que, de modo limpo, tratava de fechar os espaços e obrigava os atletas de alto nível do adversário a se desvencilhar de uma marcação acirrada. O jogo fica chato? sim. Mas bem disputado. E, quando um drible acontece, ou uma tabela dá certo, é linda. Vale a espera por esse momento de desafogo.

Isso não ocorre no Brasil. Normalmente, um time de medíocres fica tentando lançamentos para pegar uma defesa instável mal postada. Ao tentar uma jogada no meio-campo, é falta na certa. E, na cobrança da infração, bola para área, forçando as terríveis saídas de gol dos arqueiros brasileiros, ou o péssimo tempo de bola dos defensores.

Não à toa, o líder do campeonato, o São Paulo, tem um goleiro cujo maior mérito é jogar com os pés – significa saber lançar diretamente o atacante sem depender de jogadas dos meias – e grande parte de seus tentos surge ou de cruzamentos de qualquer lugar do gramado, ou de chutes de média distância, o máximo que um meio-campo medíocre consegue evoluir antes de ser caçado nas faltas, muitas vezes inexistentes, mas por isso se faz necessário possuir um velocista perito em simulá-las, responsáveis por nosso maior produto de exportação e por formar nosso imenso quintal de refugos das grandes ligas européias.

O outro candidato ao título restante, coitado, depende de seus volantes (boas revelações, mas ainda sem tarimba) conseguirem jogar e avançar ao campo adversário, pois lhe falta um atacante de nível mínimo para definir as partidas. A criatividade sofre tragicamente nos pés de um jogador cuja maior marca é a instabilidade. Sorte é possuir uma defesa que, diferentemente das demais, falha pouco e apostando nos erros adversários, somam-se pontos preciosos . Se dependesse da capacidade de seu treinador antever alguma alternativa tática para vencer os oponentes, estaria na pasmaceira.

Claro, se o nível não é tão bom, resta-nos um campeonato muito equilibrado. Mas um nivelamento por baixo, sim. Em qualquer campeonato de pontos corridos decente, um time com chances de ser campeão na reta final do certame, ao jogar fora de casa contra um adversário desesperadoramente fugindo do rebaixamento, poderia até encontrar dificuldades, quem sabe, numa zebra gigantesca, perder – o normal seria que ganhasse, e bem (duvido que o Chelsea perderia para o Stoke City numa rodada decisiva, fosse o jogo no inferno). No Brasileirão’2008, ninguém se assusta de ver um postulante à taça tomar de cinco de um freqüentador assíduo da zona do descenso. Ou empatar em casa com um praticamente condenado à Série B de 2009.

Assim, temos um emocionante campeonato de futebol de botão. Assistir os jogos é desesperador. Se você está participando, sofre, xinga, e, quem sabe, vê gols, alguns, raríssimos, até bonitos, embora dificilmente bem construídos. No entanto, para aqueles sem maior interesse, tentar manter o foco nas partidas é pior do que ver três filmes seguidos da fase decadente dos Trapalhões com Gugu e Conrado e a ocasional participação da Xuxa. Resta, então, esperar os resultados da rodada e imaginar como é possível tanta baixaria num campeonato. Além de ouvir bobeiras do tipo, “o campeonato é emocionante”. Façam-me o favor.

Terça-feira, 11/Novembro/2008

Pela redemocratização da pista

Há algum tempo, noto que um fenômeno não muito divertido começa a se tornar corriqueiro nos shows de rock paulistanos: as pistas VIP. Nada que me soe mais contrário a tudo que uma apresentação ao vivo de uma banda representa.

Por mais besta que pareça, sempre apreciei aqueles imbecis dormindo nas filas dos shows para pegar lugar. Quando eu ainda era apenas um jovem ranzinza, normalmente, sempre começava a buscar um lugar no burburinho minutos antes de começar o show e a jornada sempre terminava de modo satisfatório, quando não a primeira fila mesmo – e ter conseguido isso no show do Halford no Rock in Rio III foi o ápice. Por isso, entendia quem não media esforços para consegui-lo, nem que fosse por ao menos alguns minutos depois de horas de espera.

Mas o legal era exatamente isso: a pista, por ser um ingresso dos mais baratos, acabava facilitando o acesso de qualquer um ao tête-à-tête com o artista, poder olhar no olho do cara durante o show, cantar junto como se ele te acompanhasse. E, como exigia um esforço danado, você tinha que curtir muito para chegar lá. E, quando se chegava, você vibrava mais, o show ganhava outro contorno. Quantas apresentações mornas não ficaram gravadas na memória simplesmente porque você viu um show como ninguém mais o fez?

Mas isso está acabando. Hoje em dia, inventaram a pista VIP, um jeito de se extorquir ainda mais dinheiro dos fãs. Não é nem a questão de o mais endinheirado não merecer – pode ser até mais fã por gastar mais para vê-la.  Mas o efeito final é o de como se fosse criado um camarote de frente ao palco, a perda do contato com o resto de todo o público, a ausência da luta pelo lugar, do esforço físico, por mais que tenha custado, perde um pouco do tesão de se estar ali.

Para o artista, isso deve fazer muita diferença, principalmente quando o setor não está lotado e fica um vão até a outra parte do público, também empolgada (às vezes, até mais), porém talvez não tanto quanto se estivesse em vias de encostar no ídolo. Não deve ser legal olhar a sua primeira fila e ver pessoas não tão extasiadas como outrora.

Não sou contrário ao promotor encontrar métodos para ganhar mais dinheiro com os fãs – e recompensá-los de forma satisfatória por isso. Até acho que o lugar privilegiado possa existir, mas sem impossibilitar o acesso do resto do público a esse contato (alas laterais, primazia no acesso ao local, sei lá). A pista é uma instituição do show de rock e sobrepor a lógica do lucro ao espírito de se atingir um nível elevado de êxtase ao presenciar sua música favorita diminui a grandiosidade da experiência.

Na minha humilde opinião, não faz o menor sentido existir show de rock com limitações pré-estabelecidas. O que o torna uma experiência fantástica é a espontaneidade e a imprevisibilidade. Quando tudo fica pensado e certinho demais, é um porre.

Sexta-Feira, 7/Novembro/2008

Voltei! Agora pra ficar!!!

Não, esse não é mais um post sobre o Corinthians.

Depois de um mês de ausência, eu voltei. Graças a meu novo computador, que, com menos de mês e meio de uso, resolveu dar pau e me deu uma baita canseira. Nesse período, fiquei com um notebook emprestado de minha prestativa namorada e, como odeio escrever neles, usava-o apenas para as tarefas mais urgentes. Mas, voltei, agora é pra ficar.

É engraçado como sua vida muda sem computador. Passei um mês mais ligado na internet no “serviço” do que em casa. Jamais tive o hábito de navegar enquanto trabalhava, era contraproducente – e foi, confesso ter meu rendimento reduzido em comparação com os dois últimos dias, quando a minha máquina voltou. Como Gestor de Informática entre outras inúmeras funções, sei dos riscos de quando a internet era aberta a todas e eu pegava no pé. Mundo irônico.

Rolava, ainda, sempre uma culpa interna meio boba, de quando alguém vinha falar comigo e eu estava navegando em alguma página nada a ver. Por mais que eu continuasse prestativo (a redução na eficiência rolou em algumas atribuições dependentes de mim apenas), não me sentia muito bem da mesma forma. Mas descobri coisas na internet que não usava muito.

Por exemplo, como o MSN era travado no trabalho, descobri uma forma de trazer os contatos para o GTalk. Mas, logo em seguida, percebi ser isso suicídio profissional e os apaguei. O blog foi abandonado – mas agora sei da existência de um complemento do firefox facilitar isso e vou testá-lo em breve. O plurk, coitado, nem me lembrava de sua existência. Outra solução bastante interessante foi me render ao feeder, ótimo para um vagabundo que lê alguns leads e outras manchetes para se sentir menos desatualizado com o mundo. Também unifiquei meus e-mails em um só no gmail (até agora me pergunto por que não o tinha feito antes). Enfim, estou me rendendo ao Google Inc. Ele está controlando minha vida.

O meu computador antigo ainda está em casa. E eu apanhei dele, porque seu HD, sempre em frangalhos, finalmente pediu arrego – bela hora que escolheu… Ai, eu comprei um outro, e descobri que a placa-mãe antiga não tinha controlador SATA nativo. Assim, precisava instalar o Windows como dispositivo de terceiro e… o drive de 3 e 1/2 também estava com problemas. Logo, o dinheiro do HD foi inútil e, até comprar aquele trambolho de disquete novamente, ficarei com uma carcassa inútil em casa – vou demorar um pouco a me livrar dele, até confiar de novo nesse aqui.

Agora estou tentando me readaptar à vida com um computador em casa. É engraçado, mas eu preciso dessa coisa aqui para estudar, para ouvir músicas (incrível como reduzi muito a quantidade!), para conversar com alguns amigos de fora de São Paulo, para procurar informações sobre como ir aos lugares (e o Google Maps é mais um tentáculo ao qual me rendo), cinemas (já há algum GMovie?) etc.

Pelo menos vocês não me viram falando mal da Eloá, do Kassab e do Massa (posso fazê-lo depois). Só vão me ver criticando a EZPac, empresa da qual comprei meu computador que deu problemas na placa mãe, processador e memória com meros 41 dias de uso. E não tem assistência técnica autorizada funcionando aos sábados. E demoram quase 30 dias para repor as peças defeituosas. Evite.

Segunda-feira, 29/Setembro/2008

God save the Queen…

Num dia em que não me sinto 100% bem, falemos de duas coisas não muito agradáveis.

Primeiro é essa putaria do show do Queen+Paul Rodgers no Brasil. Difícil divulgar o valor dos ingressos há menos de uma semana do início de sua venda, isso se começarem mesmo a vender sábado, dia 4. Estou meio seco para comprá-los e, dependendo do preço, arriscar duas noites de show. Um evento dessa magnitude no Via Funchal é para ver quantas vezes forem possíveis – Paul Rodgers mestre!

Mas o principal para falar é da Inglaterra mesmo. País odioso. Fui para lá nas minhas férias em junho, passei quatro dias, o suficiente para me deixar com muita raiva do país.

Para começar, o tempo. Apesar de ser final de primavera, início de verão, a região onde estive (Manchester, Birmingham e Liverpool) estava fria e chuvosa. Ou seja, no máximo 12°C com aquela constante garoa, vez ou outra se transformando em chuva forte, para atrapalhar tudo. Eu gosto de tempo assim, mas quando se faz turismo, isso só atrapalha.

Isso sem contar o fato de que as libras esterlinas são um extremo pé-no-saco. Obriga a ficar fazendo conversões idiotas, procurar casas de câmbio com boas cotações e, mesmo assim, tudo fica muito caro – perde-se dinheiro quando se adquire a moeda, quando a vende, quando compra qualquer coisa por lá, de uma garrafinha de Coca-Cola e uma passagem de ônibus a um CD ou cartão postal de lembrança.

Sem contar o fato de os albergues serem mais caros em relação ao resto da Europa, e não terem 10% da qualidade dos outros (banheiro no quarto é um luxo ao qual não me permiti ter) – a única coisa a me impressionar foi um tipo de sabonete com o qual você lava a mão sem precisar de água ou toalha. Não sei como é feita a gororoba, mas realmente me deixou com a sensação de mãos limpas.

Ruim mesmo, no entanto, foi na alfândega. É um saco ser entrevistado como se fosse um potencial imigrante ilegal. Perdi uns 10 minutos ou mais – a noção de tempo foi embora junto a ele – sendo inquirido por um fiscal chato e indolente, num diálogo mais ou menos assim – em itálico, o que a cara de cada um tentava expressar:

- Bom dia senhor, o passaporte. (Mais um desses inúteis latinos pensando que vão nos enganar só por entrar na terra da Rainha via Suíça).
- Aqui está. (Que saco, espero que vá rápido).
- É a primeira vez em que o senhor vem para o Reino Unido? (hmmm, passaporte verdinho… deve ser falsificado… como todos. Pelo menos não quis jogar um comunitário para bancar o europeuzinho).
- Não, vim uma única vez antes, em 1999. (Ok… acho que isso pode demorar um pouco).
- Estranho, não vejo nenhum carimbo do Reino Unido neste documento. (Hmmm, esse aprendiz de gente quer me enganar!).
- Este passaporte foi emitido em 2004, os carimbos estão no documento anterior. (Acho que esse cara é burro)
- E posso ver esse documento antigo? (Acredito em tudo que vc me falou, ignorante!)
- Não o trouxe. Desculpa, eu não sabia que precisava apresentar documentos expirados. (Da próxima vez eu trago todos os documentos em português, aí vc finge que consegue ler).
- Ok, sem problemas. O que o senhor veio fazer no Reino Unido? (Seu inseto do terceiro mundo filho da puta. Veio trazer sua sujeira para cá por quê?)
- Eu venho em turismo. Ficarei alguns dias aqui na Inglaterra. (O que mais vc acha, estúpido? Que eu ia te contar que vou morar aqui, caso fosse essa a minha intenção?)
- Sim, e onde o senhor vai ficar? (Quer me enganar, bicho nojento? Vamos ver se tem como me mostrar que não vai dormir na rua das nossas maravilhosas cidades)
- Aqui está o endereço dos albergues. (Que saco. Será que isso vai durar muito? Estou cansado e ainda tenho um show pra ver à noite)
- Ah, sim. Aqui eu vejo que o senhor tem albergue reservado até a próxima quinta. Posso ver sua passagem de volta? (BINGO! Já vou começar a chamar os federais pra enfiar esse sujo no próximo vôo de volta àquela selva!)
- Está aqui, senhor. (Felizmente não deixei meus papéis na mala que eu despachei, senão seria um saco explicar isso para essa anta à minha frente)
- Hmm, pelo que vejo aqui, o senhor volta por Stuttgart, estou certo? (Achava que eu não fosse perceber que o senhor tem uma passagem que não vai embora de nossa terra sagrada?!)
- Sim. (É… o senhor sabe ler! Vai demorar isso muito ainda?)
- Mas, se o senhor está em Manchester, como vai pegar o vôo em Stuttgart? (Cheque-mate! Brasileiro burro! Vai ficar preso na imigração… que horas é o próximo vôo para Buenos Aires?!)
- Eu vou viajar pelas próximas duas semanas na Europa. Aqui estão os comprovantes dos vôos já agendados. (Ainda bem que os papéis não ficaram na mala… imagina explicar isso sem provas)
- Hmmm… vejo que o senhor tem um vôo saindo de Paris para Munique. Mas só vejo comprovante de vôo de Liverpool para Nantes. Como vai fazer? (Cheque-mate! Sai da minha frente resquício dos primatas!)
- Vou de trem. (Dãããããã)
- E onde está a passagem? (O cara não desiste?! Não vai entrar na minha terra amada! Volte para os macacos!)
- Não a comprei ainda. Há trens de hora em hora saindo, vou comprar quando estiver na estação. (dããããããã de novo)
- E como pretende pagar suas contas aqui na Europa? (haha, vou jogar verde pra ver se ele me confessa que vem trabalhar de batuqueiro ou garçom aqui!))
- Eu já paguei a maior parte dos gastos pelo cartão de crédito no Brasil, mas ainda trouxe dinheiro e cartão de crédito para outros que julgar necessário. (Só falta me pedir pra mostrar dinheiro agora, né?)
- Ok (falando em garçom, estou com fome, vamos acabar isso logo) - carimba o passaporte – aqui está seu documento. (Não te peguei agora, mas uma hora quem sabe algum policial atira no senhor no meio da rua e quero ver agora falarem que foi por engano!)
- Obrigado. (seu burro, como turista na Comunidade Européia, só tenho direito a três meses de permanência, e vc me deu permissão para ficar aqui por meio ano! Tanta pergunta idiota pra fazer cagada na saída. It made you a moron, a potent H bomb…)

Olhe para a minha cara de quem planeja voltar para a Inglaterra… There’s no future in England’s dreaming…

Quarta-feira, 24/Setembro/2008

Salvem a Carla Dualib!

Como ser corinthiano é uma doença e ser formado em jornalismo é uma loucura, perdi algumas preciosas horas e outros valiosos reais lendo “Salvem o Corinthians”, de Carla Dualib. Sentia-me na obrigação de ver o seu ponto-de-vista sobre o malfadado reinado de seu avô no Parque São Jorge.

Vou tentar explicar como o livro funciona. Carla Dualib é uma profissional renomada e respeitada do mercado. Mas, antes de tudo, corinthiana graças ao “vovô”, seu Alberto Dualib, um comerciante-feito-empresário de enriquecimento invejado que participou de todas as administrações do Corinthians nos últimos trinta anos (exceto a de 1981 e 1985, coincidentemente, a da Democracia Corinthiana, mas não veio ao caso ressaltar no texto ser esta a única da qual o corinthiano tem, de fato, orgulho).

Carla, verificando o péssimo estado com que o Corinthians tratava o seu marketing – pois “vovô”, bonzinho, era obrigado a ajudar a todos os pilantras obsoletos do Conselho (não conveio explicar se isso era para conseguir apoio político à sua então nascente ditadura) – resolve, com sua grande experiência de mercado, assumir tal seção e, em suas palavras, revoluciona o departamento no alvinegro.

Obviamente, o choque de gestão causa problemas internos, mas tem sua conduta respaldada pela poderosa Hicks, Muse, Tate & Furst, parceira do Corinthians, cujo maior projeto no Brasil, a PSN, naufragou absurdamente graças ao azar de péssimos mares negociais a serem navegados no caótico oceano mercadológico brasileiro. Claro, não vale dizer que o marketing tão bom do Corinthians foi ineficaz para, mesmo após duas parcerias milionárias seguidas (Banco Excel e a HMTF) tirar o time de dívidas absurdas, fazendo com que “vovô”, da “mais vitoriosa administração de todos os tempos”, se desesperasse em busca de uma nova parceria qualquer para tirar o clube do vermelho.

Desespero tal que não permitiu a “vovô” ouvir os gritos da filha, sempre contrária à parceria, para não se meter com gente suja da máfia russa. Gente do tipo que oferece passe de jogador em ascensão para calar a neta heroína do marketing, cujos escrúpulos a fizeram recusar tal proposta indecente. E passar a ser combatida pelo encantador demônio Kia Joorabichian – e seu pupilo brasileiro, Andres Sanches – e não ver mais seu trabalho remunerado.

Mas o presidente-rainha-da-Inglaterra havia empenhado a palavra – aquela que, como aprendera nos tempos de comerciante, deveria ser honrada – com pilantras de toda a espécie, de dentro do clube, confiava em seus assessores e lhes assinava quaisquer documentos, ou de qualquer máfia externa, russa ou “uruguaia”. “Vovô” não precisava se meter em negociatas, tinha dinheiro de sobra para uma vida confortável. O problema eram eles. Os bandidos. Traidores.

A história do clube termina (?) como todos nós sabemos – e lamentamos (e continuamos a lamentar). Carla, por outro lado, só sofreu. Perdeu o marido, o seu nome no mercado, sua perspectiva profissional. Tudo isso porque, coitada, meteu-se a ajudar o clube – não devido a ter trabalhado com “vovô” e, junto dele e dos colegas por ele arrumados, ter se queimado. Mas o amor pelo Corinthians, esse continua, apesar dos crápulas que dele tomam conta.

Mas agora parte para a desforra. Publica seu livro para juntar alguns merréis (como os meus) enquanto espera sua próspera ação contra o clube do coração para fazer um bom pé-de-meia para tentar viver feliz para sempre – isso, claro, se vexames como o da final da Copa do Brasil não lhe tirarem o sono.

Segunda-feira, 22/Setembro/2008

Faltou o PVC…

Nas minhas idas esporádicas ao cinema, ontem fui ver Linha de Passe. Infelizmente, não era o agradável debate de segundas à noite na ESPN Brasil, mas o novo filme de Walter Salles e Daniela Thomas, já devidamente agraciado pela crítica depois de receber ovações em Cannes – ainda precisamos da “enganar os gringos” para nos sentirmos valorizados.

O filme até é bom. Confesso que fui esperando pelo pior – gosto de Terra Estrangeira, embora os outros filmes dessa galerinha sejam meio bobos -, e contratempos no cinema escolhido aumentaram o tradicional mau humor. Mas o modo com as histórias de cada personagem são contadas e se complementam é gostoso de acompanhar, apesar da sensação meio incômoda causada pela vidração que os riquinhos cineastas brasileiros têm de mostrar a pobreza tupiniquim ao mundo – não por “mea culpa”, e sim por oportunismo, como se fosse nosso diferencial em relação ao cinema estrangeiro, apesar de boa parte do planeta ser miserável.

Para os fãs de futebol, também é interessante ver como se conseguiu com certo sucesso filmar as cenas da prática do esporte com aparente verossimilhança. Aliás, essa urgência de realidade é uma das maiores virtudes de Linha de Passe. É retratada muito bem (creio eu, ou apenas fui enganado direitinho) a vida de uma família de classe baixa, tendo a mãe como núcleo familiar, os irmãos tentando a própria sorte, cada um ao seu modo relativo à idade e às responsabilidades. Tudo parece muito vivo, verdadeiro. Nem parecem atores – e o fato de não ter nenhum global chato é crucial para esse efeito.

Mas cinema não é só isso. É nesse ponto que os filmes brasileiros sempre se perdem. Essa urgência de realidade é o calcanhar de aquiles da elitista filmografia nacional. Ao terminar Linha de Passe, com as vidas de cada um ainda a se definir, talvez faltasse um elemento mais lúdico à obra. De tantas emoções cafonas que tentam ser transmitidas, a sensação de final (feliz ou não) é deixada de lado. No contexto do roteiro, até faz sentido – a luta no cotidiano de periferia nunca termina. Mas um sentido besta, pois o filme não é o cotidiano. É uma ficção. Se o final terminasse qualquer das histórias, o enredo do filme é forte o suficiente para não lhe conferir a idéia de definitividade.

Em suma, é como se, depois de ver Fernando Calazans lamentando do futebol horroroso do Campeonato Brasileiro, Juca Kfouri tentando fazer piada sem graça e José Trajano xingando o mundo inteiro por puxar o saco de qualquer um que ele não julgue merecedor, não viesse um PVC mais sóbrio para dar o toque final à discussão – ele não exaure quem vai ser o campeão brasileiro, pois a competição continuará; apenas encerra o debate nas circunstâncias daquele dia de forma sensata, permite que se chame o intervalo e, na volta, um novo tópico se inicie.

PS: Não poderia deixar de reclamar do Kinoplex Itaim na estréia dessa seção “Colírio de Sangue”. Foi a primeira e a última vez que freqüento uma sala cujo ingresso custa 20 reais e tem apenas 3 guichês para vendê-lo, além de um outro destinado ao atendimento preferencial. Isso sem contar a desgraça de ouvir “cantando” umazinha qualquer se achando nascida em Nova Orleans, enquanto esperava na lentidão da fila ao lado de um monte de boyzinho à la pseudo-intelectual de Espaço Unibanco. E o estacionamento custava absurdos 9 reais. Ou seja, um casal gastaria no mínimo 50 reais para ver um mísero filme metido a besta com monte de feio pobretão na tela que nem termina direito!

Sexta-Feira, 12/Setembro/2008

Haja blogs…

Na verdade, eu entrei aqui só porque notei que o link para o blog do PVC ainda estava desatualizado. O anterior, no Lancenet, não existe mais e, agora, ele faz parte daquela baderna esdrúxula do site novo da ESPN, algo que eles insistem em chamar de “revolucionário”. Encheram de blogs inúteis.

No fundo, odeio esses blogs de jornalistas. Se você tem uma notícia, apure-a e publique na porra do website do seu veículo, se quer emergência. Se você é autônomo, beleza, está perdoado, é seu jeito de se expressar. Mas profissionais consagrados de mídias renomadas acabam inflando o próprio ego para soltar os “furos com marca d’água própria”. Desnecessário, no mínimo, receber no feeder algo como “leia no Blog do Josias que o STJ vai invalidar a investigação do Protegenes”. Não seria melhor acompanhar isso no Folha On Line?

Assim, resta a dúvida: Qual a função de um blog de jornalista? É para mostrar que ele é fodão e segura a revista dele nas costas? Gosto quando um repórter mostra o outro lado da notícia. Por exemplo, se aborda assuntos, não necessariamente de bastidores, sem relevância prática para o fato reportado, mas interessante para saber como aquilo rolou.

Por exemplo, se eu esbarrar com Mano Menezes num aeroporto, posso fazer uma entrevista e conseguir um furo. Legal, essa é a minha matéria, vai para o site da minha empresa, caso possua algum conteúdo relevante. Mas posso contar como o encontrei, a forma pela qual o reconheci e a abordagem ao me aproximar dele num blog. Para mim, coisas assim deveriam fazer parte dele.

O site novo da ESPN não é muito assim. Ok, é legal abrir mais espaço para opinião no site – já havia as colunas antes, e eu gostava de algumas delas, não via a necessidade dos blogs -, mas há muita gente que eu mal conheço e cujas idéias não significam absolutamente nada. E muitos posts curtos de coisas irrelevantes. Mais conteúdo do website a ser ignorado.

Na verdade, o que o site da ESPN acaba mostrando é que, cada vez mais, o mundo virtual fica chato e sem novidades. Então, acabamos passando o tempo lendo a opinião dos outros, por nos faltar algo melhor a fazer ou a procurar na internet.

Deveria começar a ler um livro, isso sim. Ou parar de ficar no computador e estudar decentemente.

Quarta-feira, 10/Setembro/2008

O Metallica novo é legal. E isso já é o suficiente.

St. Anger era um prenúncio – escroto, é verdade -, tocar o Master of Puppets na íntegra três anos atrás, a ausência de faixas dos discos mais novos nas tours, chamar Rick Rubin para produzir. Tudo entregava que o Metallica ia buscar a aprovação da ala mais “metal” de seus fãs com o novo trabalho. E Death Magnetic se prestou unicamente a isso. Com sucesso. Mas sem lá muita inspiração.

É plenamente compreensível que o Metallica não tenha o fogo do passado. De um monte de bêbado cheirador em São Francisco, hoje são superstars milionários de Lalaland. Jamais alguém que saía de chinelos carregando um pacote de roupas de uma loja de grife vai conseguir escrever “Phantom Lord” de novo. E, sabiamente, a banda não tentou fazer isso.

Fez o que estava ao seu alcance. Pegou todas as suas influências, jogou-as num liquidificador e, disso, tentou compor músicas mais pesadas. Conseguiu. O problema é que nenhuma soa como um clássico. Apesar de todas manterem um nível de qualidade meio raro nos últimos trabalhos da banda, há pouca coisa memorável – apenas “That was just your Life”, “The Day that Never Comes” e “All Nightmare Long” podem passar no teste do tempo. Não trocava nenhuma por “Bleeding Me” ou “The House Jack Built”, do tão criticado Load.

O mais legal de Death Magnetic é o clima de diversão. Se St. Anger parecia um martírio de idéias – algumas muito boas, como “Frantic” e “Sweet Amber”, mas tudo cercado de um sofrimento absurdo, como bem documentado em Some Kind of Monster -, o novo álbum é legal. Você percebe a banda com tesão pelo que fez, deixando Kirk solar à vontade, trocando bases o tempo todo, com vocais gritados, letras sem lá muita pretensão. Para a tour atual, até é possível encaixar os clássicos do Metallica com faixas novas num setlist sem soar forçado. Esse é o maior elogio possível a um trabalho de um novo dinossauro.

No entanto, falta inspiração. Compreensível. O Metallica não é o Testament, que precisa lançar um disco fantástico para justificar sua existência (e The Formation of Damnation é isso e muito mais!). A trupe de Lars e James apenas quer continuar na estrada, fazendo seus milhões por show com um motivo legal para fazer isso um pouco diferente de modo a não perder a graça. Conseguiram com Death Magnetic. E basta.