Sexta-Feira, 25/Setembro/2009

Foi pênalti?

Evandro Rogério Roman virou celebridade. De novo. Após aquela arbitragem fantástica no jogo entre Londrina e Engenheiro Beltrão (cuja filmagem está rendendo um belo processo contra o autor das imagens, pelo nobre árbitro), o juiz paranaense transformou-se na estrela de Cruzeiro x Palmeiras, ocorrido quarta à noite em Belo Horizonte. Tudo porque não teria dado quatro(!) pênaltis a favor do clube mineiro.

Não estou aqui para discutir os lances. Até porque isso é inútil. O jogo já acabou, não é mesmo? Prefiro falar sobre como a imprensa vem falando do assunto. Por exemplo, ontem eu vi muito mais os lances dos pênaltis do que os gols do jogo. É nesse ponto que reside o erro de toda a abordagem futebolística atual. E por isso Roman é o nome do jogo, não Vágner Love, com seu gol decisivo, ou Kléber, por dar tchauzinho para a organizada palmeirense (embora isso esteja rendendo também).

A discussão da arbitragem, raras exceções (a mais notável, e polêmica, de Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil), é que se aborda sempre o pontual, ou seja, os erros em si. Poucos avalia a qualidade do árbitro com base em estatísticas de jogos pretéritos confrontadas com as estatísticas das atuações do próprio time envolvido. No caso do jogo de quarta-feira, Roman assinalou poucos pênaltis em seus jogos. Isso não é suficiente para instruir seus atletas que qualquer cai-cai na área dificilmente geraria a penalidade máxima?

É mais fácil, claro, apelar para a teoria da conspiração. E eu estou longe de sair por aí gritando que não há favorecimento. Obviamente, quem tem o poderio econômico exerce mais pressão e a consequência é, de certa forma, ter um olhar mais benéfico para si – ou impor medo caso seja prejudicado. O problema é que ninguém ataca a raiz da questão: não é preciso mais blindagem à comissão de arbitragem? Deixá-la imune a tanta pressão?

Essa seria a alternativa mais lógica. Poderiam lutar por uma arbitragem profissional, organizada, independente, desgarrada da CBF, que pouco ou nada se interessa com o futebol praticado no Brasil. Isso parece pedir demais quando os próprios clubes não são financeiramente viáveis, incapazes de organizar uma liga própria rentável independente da entidade máxima, curvando-se à necessidade da real dona do calendário esportivo nacional, a televisão. Se não conseguem nem para eles, fariam pela arbitragem?

Dessa forma, os clubes encontraram outra saída. A choradeira, manifesta em todos os momentos de todas as formas. Antes, por precaução, pois o juiz já “favoreceu X antes e vai favorecer contra mim”, “prejudicou X antes e agora pode compensar contra mim”, “já me prejudica desde sempre” e “me favoreceu antes e agora quer contrabalançar”. Durante as partidas, técnico pressionam à beira do gramado à exaustão e qualquer medida do “homem de preto” é perseguição pessoal. Após os jogos, querem a punição preventiva, através do “não quero mais tal juiz em jogos do meu time”.

De certo modo, isso tende a equilibrar mais as coisas, com base na teoria do “reductio ad absurdum”, todo mundo reclama tanto, que a pressão vinda de todos os lados se anula. Porém, não apaga aquela lógica inicial: quem tem maior poderio econômico tende a acabar levando vantagem nos momentos importantes. E vem a enxurrada de reclamações, quando diretores escondem suas falhas na organização do clube “mostrando serviço” nas comissões de arbitragem e nos programas de TV.

Nesse caso, vem a crítica à mídia. Primeiramente, não é necessário saber a opinião de todos os comentaristas se foi ou não pênalti, isso não precisa virar pauta específica, com replays em câmera lenta por todas as câmeras, daqui a pouco até com imagens de YouTube de gente que filmou do estádio com celular. Até acho que um replay mais elaborado sobre um lance objetivo é válido (impedimento, bola passou ou não da linha), com vistas a instruir o espectador. Pênalti é sempre muito subjetivo e, por mais que a audiência mereça e deva receber todas as informações, a mera opinião se foi ou não infração não merece tanto destaque.

Porém, o que vemos não é apenas o contrário disso, como se abusa desse espaço, inclusive abrindo-o para atletas e dirigentes  reclamarem, bem como, vez ou outra, até para o juiz se defender. Ou seja, a discussão de boteco acaba dando o tom das mesas-redondas “profissionais”, até embutindo conceitos sérios (oficialização do discurso, ouvir a outra parte) a uma conversa deveras inútil e redundante. A função educativa e elucidativa da imprensa se perde. No final das contas, o torcedor acaba comprando a ideia de que o dirigente deve mais é reclamar mesmo e, quando faz isso, cumpre seu papel com eficácia.

Depois, quando esse mesmo cartola convence seu torcedor de que vai defendê-lo da mesma forma na câmara dos vereadores ou em outra instância política, a mesma imprensa reclama do uso eleitoreiro do cargo de dirigente do clube, sem nunca se responsabilizar por ter dado o palco para o artista veicular seu discurso ao seu público.

Terça-feira, 22/Setembro/2009

A doença dos festivais no Brasil

É a febre dos festivais chegando ao Brasil? Se for, diria que é uma doença dos festivais brasileiros. Inicialmente, com todas as datas existentes e disponíveis no ano todo, conseguiram a proeza de se marcar dois para o mesmo dia: o Planeta Terra e o Maquinaria. Ambos com atrações interessantes, algumas até que atrairiam públicos similares (Sonic Youth, Jane’s Addiction e Faith No More possuem fãs de características similares). Principalmente por causa da banda de Dave Navarro, optei pelo Maquinaria.

Assim, neste domingo, resolvi tentar comprar meu ingresso. Como moro em São Paulo, a minha ideia era a de não pagar taxa de conveniência. Convenhamos, ingresso no Brasil já é bem caro (200 reais equivale a mais de 100 dólares, preço meio caro para uma noite de festival – se pensar em duas noites, já tem o custo bem acima do Sweden Rock, em quatro dias), pagar taxa de conveniência de 15% e ainda outra de entrega (cobra-se mesmo até para retirar o dito-cujo na bilheteria) é abusivo. Com isso em mente, comecei minha saga para descobrir onde se encontra tal relíquia.

Primeiro, recorri ao website. Pesado, demora para carregar, fala de forma superficial sobre a ideia do festival e não traz nenhuma informação relevante. Até eu sei de mais atrações do festival do que a página oficial do evento. Isso é trágico. Em qualquer festival mixuruca europeu, as informações mais relevantes, como hotéis na região, modos de chegar, excursões filiadas, como o evento funciona, preços e postos de venda (quando não a própria venda), além de outras informações conceituais.

Tudo isso é o básico essencial para quem se dispõe a ir ao festival. Primordial, porém, é saber quem vai tocar no evento. Afinal, apesar de algumas exceções notáveis, poucos resolvem pagar para ficar um sem-número de horas sob calor, chuva, frio, sol, vento sem ter algumas atrações que lhe agradem. E o site oficial deveria ser a principal fonte de anúncios sobre os participantes. Antes de sair por aí jogando press-releases, a página aparece com a notícia. Assinar o newsletter do evento (agora, o twitter) tem que ser melhor do que zilhões feeds de sites culturais. Tudo isso para dizer que há bandas já anunciadas em releases oficias na imprensa que ainda não constam no www.maquinariafestival.com .

Retomando o fio da meada, volto à minha jornada pela simples informação, banal, ridícula – postos de venda de ingresso sem taxa de (in)conveniência. Depois de carregar o site (pesado, acreditando que houve alguma pesquisa de mercado para saber que o público do festival que se dá ao luxo de pagar 200 reais por um ingresso tem banda larga em casa), não achei nada. Fui obrigado a recorrer ao site do Ingresso Rápido. Pois bem, de novo, a missão era ingrata.

Para quem já tentou se aventurar pelo site do Ingresso Rápido, sabe não se tratar algo funcional, truncado, de informações mal organizadas (felizmente, tem um link na home do site, evitando maiores buscas). Um festival deveria já saber isso de antemão e procurar o melhor serviço para disponibilizar o principal, que são as entradas. Enfim, vi uma relação de locais para fazer a compra, mas, obviamente, nenhuma informação quanto à cobrança da inconveniente taxa.

Para não correr o risco de jogar gasolina fora, o jeito foi apelar ao telefone. Com ele, veio aquela culpa jornalística do “por que já não fui atrás da fonte viva de uma vez?” Ao receber a primeira mensagem eletrônica pré-gravada, a minha resposta já estava dada. Depois de digitar alguns números para a minha seleção, eu era o número de 19 na espera para conversar com o atendimento. “Domingo deve ter menos gente trabalhando”, ainda tentava me consolar, mesmo sabendo que um evento desses vai ter sua venda aumentada quando o público-alvo não trabalha. Trinta minutos depois, consegui falar com uma atendente, e, com 10 seg de conversa, a resposta: a venda sem taxa de conveniência se dá – SPOILERS! – exclusivamente na FNAC do Shopping Morumbi.

Cruzei a marginal pinheiros (moro no extremo da zona oeste paulistana, o shopping fica na zona sul), aproveitei e almocei já no mesmo lugar, mas comprei finalmente o ingresso. Não, sem antes, ter outra digressão: quando a moça do atendimento me perguntou para qual dia eu queria o ingresso, eu fiz uma retórica pergunta: “tem promoção se eu comprar para os dois?”.

É absurdo que a resposta seja negativa. Não entendo como essa ideia – a de vender um ingresso combinado para os dois dias – não passou pela cabeça dos promotores do evento. É o que há de mais banal. Por exemplo, não vou pagar 200 reais por dia do festival (quero ver, primordialmente, Jane’s Addiction e Faith No More), mas, de repente, uns 250 ou 300 pelos dois dias seriam mais atrativos (e aí repensaria a possibilidade de ver Evanescence e Danko Jones). Pensando como alguém viajando para São Paulo no sábado, por que não aproveitar e ficar no domingo?

É aquilo, a gente – eu, especialmente – torce para que voltem a acontecer os grandes festivais no Brasil. Por mais que o cast não seja dos melhores, e isso é algo que compete aos promotores decidir de acordo com interesse do público a lhe proporcionar o melhor retorno, aproveitar o bom momento econômico é essencial. O problema é que o conhecimento do país nesse tipo de coisa é quase nulo. A mentalidade de algumas das partes também não ajuda muito. Depois, o festival não dá certo, e a culpa é da carteirinha de estudante, do preconceito dos patrocinadores ao estilo etc.

Tudo ficaria muito mais fácil se o promotor pensasse, com interesse, em fazer as coisas mais fáceis para o seu público.

Sexta-Feira, 18/Setembro/2009

Que Idário fique na memória

Hoje morreu o Idário. Obviamente, eu nunca o vi jogar. Para falar a verdade, não me lembro de ter lido sobre ele. As poucas recordações que eu tenho do jogador vêm do pai do meu tio/padrinho, com quem tive muito pouco contato. Mas me recordo que algumas vezes, quando ouvia jogos no rádio com ele, de vez em quando ouvia um “Ah, se fosse o Idário…”

Sendo ultrassincero (é com dois “s”? – esquisita essa nova regra ortográfica), até hoje eu não sei muito bem o que ele queria dizer. Mas para um jogador ficar na memória dele – e na minha desse jeito – acredito que ele foi marcante. Esse texto do blog do Juca dá uma dimensão do exemplo de raça que Idário foi ao alvinegro, embora o site oficial traga apenas um texto protocolar.

Acredito que o Corinthians trata muito mal a sua história, apesar do Museu (o qual eu nunca fui visitar, uma gafe imperdoável da qual me recrimino até hoje e sempre me prometo corrigir), longe de boa parte de seus torcedores. Procurei no site do clube uma parte mais direta aos seus ex-jogadores, suas conquistas, e apenas encontrei na área internacional (por favor, se há em outro lugar, corrijam-me!). Deveria ter para novos torcedores daqui, brasileiros.

Somos um time diferente, ou assim acreditamos. Cultivamos derrotas dolorosas com quase tanta intensidade quanto as vitórias gloriosas – talvez venha daí o fato de sermos maiores em números, pois outros clubes apenas dão valor a suas conquistas, e não se ganha sempre. Da mesma forma, o clube deveria trabalhar para manter vivos no imaginário corinthiano mitos como Idário, ou agora, Ezequiel, que vão ser eternamente presentes na memória de um senhor, seja o pai do meu tio/padrinho, seja da minha, em alguns 50 anos (se eu estiver vivo).

A história de um clube não se faz só com craques. Jogadores como Idário não podem ser esquecidos por gerações posteriores. Foi um costume recente a títulos e jogadores consagrados que levaram o Corinthians a uma parceria desgraçada, culminando com a série B, uma humilhação excessiva, desnecessária, dolorosa demais até mesmo a um clube que se vangloria da própria desgraça.

Página virada, felizmente, a da série B. Quanto a Idário, o Corinthians deve trabalhar para não deixar o mesmo acontecer. Seria legal uma belíssima homenagem a ele no jogo contra o Goiás, domingo, no Pacaembu.

Sexta-Feira, 18/Setembro/2009

Testando

Funciona assim esse feature?

Se funcionar, talvez retome o blog. Veremos.

Quinta-feira, 5/Março/2009

Pobre Douglas…

Virou mania nacional. Até o Datena resolveu dizer que o Douglas é caso de polícia. Tudo porque ele cometeu o maior dos crimes: não passou a bola para o Ronaldo, no dia da celebração de seu retorno ao Corinthians.

Esquecem-se, todos esses vorazes críticos, que não era apenas “a grande estreia” de Ronaldo. Era a partida mais importante do Corinthians na temporada até agora. A vitória por dois ou mais gols significaria livrar uma partida de um calendário apertado. Mais tempo para treinar. Na visão da competição, a volta de Ronaldo era um tema secundário.

Mas, obviamente, ter um popstar no time nunca é secundário. Em plano inferior estão os demais jogadores. Entre eles, Douglas, o novo vilão da imprensa, do mundo. Tudo porque, num lance em que recebeu sozinho a bola, sem ninguém à sua frente, o meia habilidoso mirou o ângulo e a bola passou raspando a trave. Mas, ao seu lado, estava Ronaldo, o maior artilheiro de todas as Copas, voltando após 1 ano e 19 dias parado pela enésima contusão do joelho. E o meia alvinegro não lhe passou a bola. Pecado mortal.

Essa algazarra danada parte do pressuposto que Ronaldo jamais perderia aquele gol. Mesmo gordo, um pouco desengonçado ainda e visivelmente fora de forma. Brincando no mundo do “E se…”, e se Ronaldo não marcasse? Haveria gente falando que o time não levou a partida a sério, preferiu fazer festa para a estrela em seu retorno. E se Douglas fizesse o gol? Ainda assim, seria chamado de fominha? Pior: e se Ronaldo fizesse o gol, mas o Corinthians levasse outros dois na seguida e, com 3 a 2, houvesse a partida de volta? O mundo estaria feliz, mas o objetivo do time não teria sido atingido.

Ora, poderíamos tentar enxergar com outros olhos. Poderíamos termos visto que o time não está deslumbrado com a presença de um fenômeno no grupo – Douglas, em vez de se preocupar com a festa, viu a chance de marcar um gol, tentou fazê-lo e, por pouco, errou -, os jogadores estavam focados em conseguir alcançar seu objetivo, eliminar a partida de volta. Conseguiram, sem muito mérito, é verdade (o pênalti do primeiro gol não aconteceu e o Itumbiara chegou a ameaçar a meta alvinegra). Mas, a folga está garantida.

Entendam: o gol de Ronaldo é secundário. O Corinthians é a prioridade – mesmo que a mídia do mundo todo, sedenta por jornais e revistas vendidas e números do audiência e pageviews,  só se interesse pelo atleta. Para o “investidor principal”, o clube, de nada adianta trazer o “fenômeno” se não vier, pelo menos, a vaga na Libertadores em 2010, o quase sempre fatídico ano de centenário.

Já Douglas, bom… até o atacante fazer seu primeiro gol, o meia vai ter que dormir com o barulho da imprensa. Amenizaria as coisas se deixasse as atuações apagadas para trás e pelo menos jogasse um pouquinho mais de acordo com seu potencial.

Quinta-feira, 15/Janeiro/2009

Testando

Feliz ano novo!
Estou em fase de testes. Primeiro reaprendendo a escrever em português, graças às mudanças do acordo ortográfico.
Agora, também verificando se esse tal de ScribFire vai me fazer postar mais por aqui.

Enquanto isso, ao lado dos colegas de sanatório metalístico, Thiago Sarkis e André Pase, estamos tocando o solada. Nos vemos com mais frequência – como eu quero meu trema de volta!

Segunda-feira, 17/Novembro/2008

Patético

Já deu no saco essa lenga lenga de que o campeonato brasileiro é sensacional. Não é. Não está nem perto de ser. E falo isso com a isenção de um corinthiano, longe da disputa, e admirador de uma coisa rara nesse certame, o futebol, algo difícil de se encontrar nesse emaranhado de mediocridade chamado Brasileirão.

A imprensa vem perpetuando imensas bobagens. Dizem que o nível técnico do Brasileirão é igual ao de um campeonato europeu. Bom, fiquemos com o decadente e “retranqueiro” Calcio. Obviamente, uma partida entre Chievo e Udinese tende a não ser grande coisa. Mas, dirão os Iludidos, Inter e Udinese foi um porre. Sim, foi. Mas há uma imensa diferença.

Quando Inter e Udinese se enfrentaram, havia tentativas de jogadas: de um lado, uma defesa forte que, de modo limpo, tratava de fechar os espaços e obrigava os atletas de alto nível do adversário a se desvencilhar de uma marcação acirrada. O jogo fica chato? sim. Mas bem disputado. E, quando um drible acontece, ou uma tabela dá certo, é linda. Vale a espera por esse momento de desafogo.

Isso não ocorre no Brasil. Normalmente, um time de medíocres fica tentando lançamentos para pegar uma defesa instável mal postada. Ao tentar uma jogada no meio-campo, é falta na certa. E, na cobrança da infração, bola para área, forçando as terríveis saídas de gol dos arqueiros brasileiros, ou o péssimo tempo de bola dos defensores.

Não à toa, o líder do campeonato, o São Paulo, tem um goleiro cujo maior mérito é jogar com os pés – significa saber lançar diretamente o atacante sem depender de jogadas dos meias – e grande parte de seus tentos surge ou de cruzamentos de qualquer lugar do gramado, ou de chutes de média distância, o máximo que um meio-campo medíocre consegue evoluir antes de ser caçado nas faltas, muitas vezes inexistentes, mas por isso se faz necessário possuir um velocista perito em simulá-las, responsáveis por nosso maior produto de exportação e por formar nosso imenso quintal de refugos das grandes ligas européias.

O outro candidato ao título restante, coitado, depende de seus volantes (boas revelações, mas ainda sem tarimba) conseguirem jogar e avançar ao campo adversário, pois lhe falta um atacante de nível mínimo para definir as partidas. A criatividade sofre tragicamente nos pés de um jogador cuja maior marca é a instabilidade. Sorte é possuir uma defesa que, diferentemente das demais, falha pouco e apostando nos erros adversários, somam-se pontos preciosos . Se dependesse da capacidade de seu treinador antever alguma alternativa tática para vencer os oponentes, estaria na pasmaceira.

Claro, se o nível não é tão bom, resta-nos um campeonato muito equilibrado. Mas um nivelamento por baixo, sim. Em qualquer campeonato de pontos corridos decente, um time com chances de ser campeão na reta final do certame, ao jogar fora de casa contra um adversário desesperadoramente fugindo do rebaixamento, poderia até encontrar dificuldades, quem sabe, numa zebra gigantesca, perder – o normal seria que ganhasse, e bem (duvido que o Chelsea perderia para o Stoke City numa rodada decisiva, fosse o jogo no inferno). No Brasileirão’2008, ninguém se assusta de ver um postulante à taça tomar de cinco de um freqüentador assíduo da zona do descenso. Ou empatar em casa com um praticamente condenado à Série B de 2009.

Assim, temos um emocionante campeonato de futebol de botão. Assistir os jogos é desesperador. Se você está participando, sofre, xinga, e, quem sabe, vê gols, alguns, raríssimos, até bonitos, embora dificilmente bem construídos. No entanto, para aqueles sem maior interesse, tentar manter o foco nas partidas é pior do que ver três filmes seguidos da fase decadente dos Trapalhões com Gugu e Conrado e a ocasional participação da Xuxa. Resta, então, esperar os resultados da rodada e imaginar como é possível tanta baixaria num campeonato. Além de ouvir bobeiras do tipo, “o campeonato é emocionante”. Façam-me o favor.

Terça-feira, 11/Novembro/2008

Pela redemocratização da pista

Há algum tempo, noto que um fenômeno não muito divertido começa a se tornar corriqueiro nos shows de rock paulistanos: as pistas VIP. Nada que me soe mais contrário a tudo que uma apresentação ao vivo de uma banda representa.

Por mais besta que pareça, sempre apreciei aqueles imbecis dormindo nas filas dos shows para pegar lugar. Quando eu ainda era apenas um jovem ranzinza, normalmente, sempre começava a buscar um lugar no burburinho minutos antes de começar o show e a jornada sempre terminava de modo satisfatório, quando não a primeira fila mesmo – e ter conseguido isso no show do Halford no Rock in Rio III foi o ápice. Por isso, entendia quem não media esforços para consegui-lo, nem que fosse por ao menos alguns minutos depois de horas de espera.

Mas o legal era exatamente isso: a pista, por ser um ingresso dos mais baratos, acabava facilitando o acesso de qualquer um ao tête-à-tête com o artista, poder olhar no olho do cara durante o show, cantar junto como se ele te acompanhasse. E, como exigia um esforço danado, você tinha que curtir muito para chegar lá. E, quando se chegava, você vibrava mais, o show ganhava outro contorno. Quantas apresentações mornas não ficaram gravadas na memória simplesmente porque você viu um show como ninguém mais o fez?

Mas isso está acabando. Hoje em dia, inventaram a pista VIP, um jeito de se extorquir ainda mais dinheiro dos fãs. Não é nem a questão de o mais endinheirado não merecer – pode ser até mais fã por gastar mais para vê-la.  Mas o efeito final é o de como se fosse criado um camarote de frente ao palco, a perda do contato com o resto de todo o público, a ausência da luta pelo lugar, do esforço físico, por mais que tenha custado, perde um pouco do tesão de se estar ali.

Para o artista, isso deve fazer muita diferença, principalmente quando o setor não está lotado e fica um vão até a outra parte do público, também empolgada (às vezes, até mais), porém talvez não tanto quanto se estivesse em vias de encostar no ídolo. Não deve ser legal olhar a sua primeira fila e ver pessoas não tão extasiadas como outrora.

Não sou contrário ao promotor encontrar métodos para ganhar mais dinheiro com os fãs – e recompensá-los de forma satisfatória por isso. Até acho que o lugar privilegiado possa existir, mas sem impossibilitar o acesso do resto do público a esse contato (alas laterais, primazia no acesso ao local, sei lá). A pista é uma instituição do show de rock e sobrepor a lógica do lucro ao espírito de se atingir um nível elevado de êxtase ao presenciar sua música favorita diminui a grandiosidade da experiência.

Na minha humilde opinião, não faz o menor sentido existir show de rock com limitações pré-estabelecidas. O que o torna uma experiência fantástica é a espontaneidade e a imprevisibilidade. Quando tudo fica pensado e certinho demais, é um porre.

Sexta-Feira, 7/Novembro/2008

Voltei! Agora pra ficar!!!

Não, esse não é mais um post sobre o Corinthians.

Depois de um mês de ausência, eu voltei. Graças a meu novo computador, que, com menos de mês e meio de uso, resolveu dar pau e me deu uma baita canseira. Nesse período, fiquei com um notebook emprestado de minha prestativa namorada e, como odeio escrever neles, usava-o apenas para as tarefas mais urgentes. Mas, voltei, agora é pra ficar.

É engraçado como sua vida muda sem computador. Passei um mês mais ligado na internet no “serviço” do que em casa. Jamais tive o hábito de navegar enquanto trabalhava, era contraproducente – e foi, confesso ter meu rendimento reduzido em comparação com os dois últimos dias, quando a minha máquina voltou. Como Gestor de Informática entre outras inúmeras funções, sei dos riscos de quando a internet era aberta a todas e eu pegava no pé. Mundo irônico.

Rolava, ainda, sempre uma culpa interna meio boba, de quando alguém vinha falar comigo e eu estava navegando em alguma página nada a ver. Por mais que eu continuasse prestativo (a redução na eficiência rolou em algumas atribuições dependentes de mim apenas), não me sentia muito bem da mesma forma. Mas descobri coisas na internet que não usava muito.

Por exemplo, como o MSN era travado no trabalho, descobri uma forma de trazer os contatos para o GTalk. Mas, logo em seguida, percebi ser isso suicídio profissional e os apaguei. O blog foi abandonado – mas agora sei da existência de um complemento do firefox facilitar isso e vou testá-lo em breve. O plurk, coitado, nem me lembrava de sua existência. Outra solução bastante interessante foi me render ao feeder, ótimo para um vagabundo que lê alguns leads e outras manchetes para se sentir menos desatualizado com o mundo. Também unifiquei meus e-mails em um só no gmail (até agora me pergunto por que não o tinha feito antes). Enfim, estou me rendendo ao Google Inc. Ele está controlando minha vida.

O meu computador antigo ainda está em casa. E eu apanhei dele, porque seu HD, sempre em frangalhos, finalmente pediu arrego – bela hora que escolheu… Ai, eu comprei um outro, e descobri que a placa-mãe antiga não tinha controlador SATA nativo. Assim, precisava instalar o Windows como dispositivo de terceiro e… o drive de 3 e 1/2 também estava com problemas. Logo, o dinheiro do HD foi inútil e, até comprar aquele trambolho de disquete novamente, ficarei com uma carcassa inútil em casa – vou demorar um pouco a me livrar dele, até confiar de novo nesse aqui.

Agora estou tentando me readaptar à vida com um computador em casa. É engraçado, mas eu preciso dessa coisa aqui para estudar, para ouvir músicas (incrível como reduzi muito a quantidade!), para conversar com alguns amigos de fora de São Paulo, para procurar informações sobre como ir aos lugares (e o Google Maps é mais um tentáculo ao qual me rendo), cinemas (já há algum GMovie?) etc.

Pelo menos vocês não me viram falando mal da Eloá, do Kassab e do Massa (posso fazê-lo depois). Só vão me ver criticando a EZPac, empresa da qual comprei meu computador que deu problemas na placa mãe, processador e memória com meros 41 dias de uso. E não tem assistência técnica autorizada funcionando aos sábados. E demoram quase 30 dias para repor as peças defeituosas. Evite.

Segunda-feira, 29/Setembro/2008

God save the Queen…

Num dia em que não me sinto 100% bem, falemos de duas coisas não muito agradáveis.

Primeiro é essa putaria do show do Queen+Paul Rodgers no Brasil. Difícil divulgar o valor dos ingressos há menos de uma semana do início de sua venda, isso se começarem mesmo a vender sábado, dia 4. Estou meio seco para comprá-los e, dependendo do preço, arriscar duas noites de show. Um evento dessa magnitude no Via Funchal é para ver quantas vezes forem possíveis – Paul Rodgers mestre!

Mas o principal para falar é da Inglaterra mesmo. País odioso. Fui para lá nas minhas férias em junho, passei quatro dias, o suficiente para me deixar com muita raiva do país.

Para começar, o tempo. Apesar de ser final de primavera, início de verão, a região onde estive (Manchester, Birmingham e Liverpool) estava fria e chuvosa. Ou seja, no máximo 12°C com aquela constante garoa, vez ou outra se transformando em chuva forte, para atrapalhar tudo. Eu gosto de tempo assim, mas quando se faz turismo, isso só atrapalha.

Isso sem contar o fato de que as libras esterlinas são um extremo pé-no-saco. Obriga a ficar fazendo conversões idiotas, procurar casas de câmbio com boas cotações e, mesmo assim, tudo fica muito caro – perde-se dinheiro quando se adquire a moeda, quando a vende, quando compra qualquer coisa por lá, de uma garrafinha de Coca-Cola e uma passagem de ônibus a um CD ou cartão postal de lembrança.

Sem contar o fato de os albergues serem mais caros em relação ao resto da Europa, e não terem 10% da qualidade dos outros (banheiro no quarto é um luxo ao qual não me permiti ter) – a única coisa a me impressionar foi um tipo de sabonete com o qual você lava a mão sem precisar de água ou toalha. Não sei como é feita a gororoba, mas realmente me deixou com a sensação de mãos limpas.

Ruim mesmo, no entanto, foi na alfândega. É um saco ser entrevistado como se fosse um potencial imigrante ilegal. Perdi uns 10 minutos ou mais – a noção de tempo foi embora junto a ele – sendo inquirido por um fiscal chato e indolente, num diálogo mais ou menos assim – em itálico, o que a cara de cada um tentava expressar:

- Bom dia senhor, o passaporte. (Mais um desses inúteis latinos pensando que vão nos enganar só por entrar na terra da Rainha via Suíça).
- Aqui está. (Que saco, espero que vá rápido).
- É a primeira vez em que o senhor vem para o Reino Unido? (hmmm, passaporte verdinho… deve ser falsificado… como todos. Pelo menos não quis jogar um comunitário para bancar o europeuzinho).
- Não, vim uma única vez antes, em 1999. (Ok… acho que isso pode demorar um pouco).
- Estranho, não vejo nenhum carimbo do Reino Unido neste documento. (Hmmm, esse aprendiz de gente quer me enganar!).
- Este passaporte foi emitido em 2004, os carimbos estão no documento anterior. (Acho que esse cara é burro)
- E posso ver esse documento antigo? (Acredito em tudo que vc me falou, ignorante!)
- Não o trouxe. Desculpa, eu não sabia que precisava apresentar documentos expirados. (Da próxima vez eu trago todos os documentos em português, aí vc finge que consegue ler).
- Ok, sem problemas. O que o senhor veio fazer no Reino Unido? (Seu inseto do terceiro mundo filho da puta. Veio trazer sua sujeira para cá por quê?)
- Eu venho em turismo. Ficarei alguns dias aqui na Inglaterra. (O que mais vc acha, estúpido? Que eu ia te contar que vou morar aqui, caso fosse essa a minha intenção?)
- Sim, e onde o senhor vai ficar? (Quer me enganar, bicho nojento? Vamos ver se tem como me mostrar que não vai dormir na rua das nossas maravilhosas cidades)
- Aqui está o endereço dos albergues. (Que saco. Será que isso vai durar muito? Estou cansado e ainda tenho um show pra ver à noite)
- Ah, sim. Aqui eu vejo que o senhor tem albergue reservado até a próxima quinta. Posso ver sua passagem de volta? (BINGO! Já vou começar a chamar os federais pra enfiar esse sujo no próximo vôo de volta àquela selva!)
- Está aqui, senhor. (Felizmente não deixei meus papéis na mala que eu despachei, senão seria um saco explicar isso para essa anta à minha frente)
- Hmm, pelo que vejo aqui, o senhor volta por Stuttgart, estou certo? (Achava que eu não fosse perceber que o senhor tem uma passagem que não vai embora de nossa terra sagrada?!)
- Sim. (É… o senhor sabe ler! Vai demorar isso muito ainda?)
- Mas, se o senhor está em Manchester, como vai pegar o vôo em Stuttgart? (Cheque-mate! Brasileiro burro! Vai ficar preso na imigração… que horas é o próximo vôo para Buenos Aires?!)
- Eu vou viajar pelas próximas duas semanas na Europa. Aqui estão os comprovantes dos vôos já agendados. (Ainda bem que os papéis não ficaram na mala… imagina explicar isso sem provas)
- Hmmm… vejo que o senhor tem um vôo saindo de Paris para Munique. Mas só vejo comprovante de vôo de Liverpool para Nantes. Como vai fazer? (Cheque-mate! Sai da minha frente resquício dos primatas!)
- Vou de trem. (Dãããããã)
- E onde está a passagem? (O cara não desiste?! Não vai entrar na minha terra amada! Volte para os macacos!)
- Não a comprei ainda. Há trens de hora em hora saindo, vou comprar quando estiver na estação. (dããããããã de novo)
- E como pretende pagar suas contas aqui na Europa? (haha, vou jogar verde pra ver se ele me confessa que vem trabalhar de batuqueiro ou garçom aqui!))
- Eu já paguei a maior parte dos gastos pelo cartão de crédito no Brasil, mas ainda trouxe dinheiro e cartão de crédito para outros que julgar necessário. (Só falta me pedir pra mostrar dinheiro agora, né?)
- Ok (falando em garçom, estou com fome, vamos acabar isso logo) - carimba o passaporte – aqui está seu documento. (Não te peguei agora, mas uma hora quem sabe algum policial atira no senhor no meio da rua e quero ver agora falarem que foi por engano!)
- Obrigado. (seu burro, como turista na Comunidade Européia, só tenho direito a três meses de permanência, e vc me deu permissão para ficar aqui por meio ano! Tanta pergunta idiota pra fazer cagada na saída. It made you a moron, a potent H bomb…)

Olhe para a minha cara de quem planeja voltar para a Inglaterra… There’s no future in England’s dreaming…