Virou mania nacional. Até o Datena resolveu dizer que o Douglas é caso de polícia. Tudo porque ele cometeu o maior dos crimes: não passou a bola para o Ronaldo, no dia da celebração de seu retorno ao Corinthians.
Esquecem-se, todos esses vorazes críticos, que não era apenas “a grande estreia” de Ronaldo. Era a partida mais importante do Corinthians na temporada até agora. A vitória por dois ou mais gols significaria livrar uma partida de um calendário apertado. Mais tempo para treinar. Na visão da competição, a volta de Ronaldo era um tema secundário.
Mas, obviamente, ter um popstar no time nunca é secundário. Em plano inferior estão os demais jogadores. Entre eles, Douglas, o novo vilão da imprensa, do mundo. Tudo porque, num lance em que recebeu sozinho a bola, sem ninguém à sua frente, o meia habilidoso mirou o ângulo e a bola passou raspando a trave. Mas, ao seu lado, estava Ronaldo, o maior artilheiro de todas as Copas, voltando após 1 ano e 19 dias parado pela enésima contusão do joelho. E o meia alvinegro não lhe passou a bola. Pecado mortal.
Essa algazarra danada parte do pressuposto que Ronaldo jamais perderia aquele gol. Mesmo gordo, um pouco desengonçado ainda e visivelmente fora de forma. Brincando no mundo do “E se…”, e se Ronaldo não marcasse? Haveria gente falando que o time não levou a partida a sério, preferiu fazer festa para a estrela em seu retorno. E se Douglas fizesse o gol? Ainda assim, seria chamado de fominha? Pior: e se Ronaldo fizesse o gol, mas o Corinthians levasse outros dois na seguida e, com 3 a 2, houvesse a partida de volta? O mundo estaria feliz, mas o objetivo do time não teria sido atingido.
Ora, poderíamos tentar enxergar com outros olhos. Poderíamos termos visto que o time não está deslumbrado com a presença de um fenômeno no grupo – Douglas, em vez de se preocupar com a festa, viu a chance de marcar um gol, tentou fazê-lo e, por pouco, errou -, os jogadores estavam focados em conseguir alcançar seu objetivo, eliminar a partida de volta. Conseguiram, sem muito mérito, é verdade (o pênalti do primeiro gol não aconteceu e o Itumbiara chegou a ameaçar a meta alvinegra). Mas, a folga está garantida.
Entendam: o gol de Ronaldo é secundário. O Corinthians é a prioridade – mesmo que a mídia do mundo todo, sedenta por jornais e revistas vendidas e números do audiência e pageviews, só se interesse pelo atleta. Para o “investidor principal”, o clube, de nada adianta trazer o “fenômeno” se não vier, pelo menos, a vaga na Libertadores em 2010, o quase sempre fatídico ano de centenário.
Já Douglas, bom… até o atacante fazer seu primeiro gol, o meia vai ter que dormir com o barulho da imprensa. Amenizaria as coisas se deixasse as atuações apagadas para trás e pelo menos jogasse um pouquinho mais de acordo com seu potencial.