Segunda-feira, 28/Abril/2008...23:02
A Isabella já morreu, mas eu estou vivo e não tenho nada com isso
Sim, às vezes é bom deixar isso claro. Apesar de formado em direito e jornalismo, logo, tenho uma vocação acadêmica (argh) para querer dar colherada em qualquer assunto, tento em vão me marcianizar e não acompanhar nada sobre a cobertura desgraçada da mídia brasileira sobre o caso. Não, não sei direito como a menina morreu, não sei quem é acusado, não leio nenhuma matéria sobre isso no jornal, mudo de canal quando a televisão aborda o tópico de qualquer forma, apenas o rádio na minha malfadada hora de acordar me abastece de escassas informações mal compreendidas. No entanto, não refuto comentá-lo.
Falo sobre o assunto porque, apesar de compreensível pelo porco nível da mídia brasileira, não há um canal de imprensa capaz de direcionar a comoção gerado pelo caso para uma discussão útil, como, por exemplo, a punição aos pais que se utilizam de castigos físicos contra os filhos. Alguns poucos meios de comunicação tentam compreender este “fenômeno de audiência” procurando algo mais profundo além de uma exploração sensacionalista da morte de uma menina não favelada, como, por exemplo, a compreensão do estado da criança na sociedade brasileira, de um artigo publicado na Folha de São Paulo alguns dias atrás.
No entanto, vemos um circo montado pela imprensa e pela polícia atraindo toda a atenção para o caso, como se o Jornal Nacional fosse a nova novela das oito, da qual “estamos” órfãos desde que o Ministério Público resolveu forçar a barra para a classificação de horários e a doce historinha da família brasileira da Rede Globo foi atrasada para às nove horas. Espera-se sempre o próximo capítulo com a descoberta de novas pistas - e até a “revista” Veja brincou de ser Contigo ao dar capa para a opinião da Polícia como se houvesse roubado do laptop do autor o roteiro do episódio seguinte -, enquanto não culmina com a última cena, tal e qual num filme americano, após um acalorado debate entre advogado de defesa e promotor, um júri condene o casal e, enfim, justiça estará feita.
Para ser perfeito, só se fosse no Texas e eles fossem mandados à cadeira elétrica. Mas, no Brasil, é capaz de reacender a infrutífera e absurda discussão sobre a pena de morte. Claro, isso se a Xuxa não resolver ter um novo filho até lá e o resultado do julgamento, anos depois, seja apenas rodapé do caderno de cidades.
1 Comentário
Quarta-feira, 18/Junho/2008 em 21:44
E amigo acabo de visitar um outro blog da mesma categoria e acabo de ficar mais triste que eu esperava!
Materias como esta nao recebe tantos vistores, pois as populcao nao ten dado tanta atenacao a este assunto, mais gente estamos e guerra com os Criminosos, e eles esta infiltrados en tudo !!
uoha. com te espera dia 1 de agosto!
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