Quinta-feira, 1/Maio/2008...14:44

Reencontro

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Ainda estou embalado pela fantástica noite de ontem no Morumbi. Tomado por 51 mil corinthianos ensandecidos, cuja única missão era mostrar que acreditavam no time, e não deixá-lo desistir. Era necessário ser um robô para não sentir o efeito. Cada atleta do time percebeu a obrigação de dar o máximo de si para conseguir o resultado. Era o único desejo da torcida.

O Goiás tremeu. Era impossível não tremer. Fazia anos que não via o Corinthians em campo dessa forma, com sangue nos olhos, cada carrinho parecia um lance magistral, cada espanada na defesa em direção à arquibancada gerava gritos desenfreados, com gols arrancados à força. Para ser sincero, desde 1997, quando Dualib iniciou a era das parcerias milionários, e vieram Excel, HMTF e MSI para formar esquadrões de alto nível técnico. Não foi esse o time que eu aprendi a amar ao longo da minha infância.

A fase desgraçada atual é como parte de um processo de cura. Depois de dez anos com fartura de títulos e craques conseguidos não pela competência administrativa de um clube ciente da força de sua torcida, mas fruto de parcerias responsáveis por injeções milionárias de recursos, era necessário se reencontrar com o passado, quando um time nunca muito técnico se sobressaía graças a fanáticos contagiantes cuja maior alegria parecia estar lá, dentro das quatro linhas, esperando um mísero gol para minimizar todos os outros problemas da vida.

Ano passado, o purgatório foi necessário para reacender essa paixão. De ir a campo sabendo da limitação do time, de ter a ciência de que apenas com algo mais se evitaria o inferno – e nos achávamos esse fator diferencial. Não foi possível impedi-lo, mas a torcida voltou a se enxergar como sempre fora: não mais uma massa de reclamões apaixonados e insatisfeitos, obrigando jogadores de renome a cumprir sua obrigação, como ao reverter a goleada humilhante frente ao Cianorte em 2005, mas de humildes sofredores cuja paixão transcende a técnica futebolística, até a lógica.

Foi esse o diagnóstico da noite de 30 de abril de 2008. Mano Menezes, que já havia feito sucesso no Grêmio exatamente por saber trabalhar essa característica da torcida gaúcha em prol de seus jogadores, fez o mesmo com maestria no Morumbi. Havia um time limitado tecnicamente, mas dedicado como há muito não se via, empurrado e cativando uma massa de corinthianos, devastando sem piedade um adversário favorito, acuado e atônito. Como nos velhos e bons tempos.

E que seja assim para sempre.

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