Domingo, 4/Maio/2008...11:13

A dengue e a praga do Rio

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Como todo gordinho metaleiro metido a intelectual, praia nunca foi muito a minha praia. Talvez por isso eu não conheça o Rio tão bem quanto alguém fanático por viajar deveria.  Mas esta semana será cheia, graças a uma viagem à cidade maravilhosa, cheia de dengue e de Ronaldos mil atrás de travestis (não que tenha algo errado nisso – com relação às bonecas, claro, pois na doença, tudo está insanamente sem sentido, ou, pior, logica e racionalmente adequado à política de saúde pública brasileira).

Não vou ao Rio a trabalho, mas por diversão. Verei dois shows: Whitesnake, na quarta à noite (saio de SP no mesmo dia após o expediente), e Queensrÿche, na quinta-feira, quando retorno na madrugada de sexta para um dia comum de trabalho. Não viajaria tanto pela trupe do velhão bizarro David Coverdale, mas o preço camarada da Gol criou a opção e o fato de estarem esgotados os ingressos no Credicard Hall transformou em obrigação.

Mas o que é barato poderia ter saído caro. Como o Citibank Hall, ou Claro Hall, ou Metropolitan, fica na região da Barra da Tijuca, caso não tivesse um amigo (Ed) pra me salvar com acomodação, estaria até agora em desespero graças ao preço dos hotéis na região. Sem contar os inúmeros gastos de táxi nos deslocamentos. Felizmente, não foi necessário.

Mas aí reside uma das questões pelas quais eu não tenho muita vontade de conhecer o Rio. Fui três vezes à cidade, e sempre achei tudo aquilo lá um lixo – e não é birra de paulistano, visto que tenho ótimos amigos cariocas e não acho a minha cidade grande coisa. Sempre fiz bate-e-volta (ir em excursões, ou descer do avião para o show e de volta ao aeroporto), e se não fossem esquemas muito bem traçados ou ajuda inestimável de amigos, eu teria me quebrado por lá. E, veja bem, não sou nenhum idiota de viajar, sempre me virei muito bem.

Para uma cidade que deveria viver – muito bem – de turismo de diversão, o Rio é uma desgraça. A infraestrutura é porca, tudo parece ser mal localizado, o trânsito é um caos, a rede hoteleira é muito cara, enfim, nada para apetecer um viajante a passar alguns dias por lá – a não ser pelos mitos da cidade maravilhosa. É claro, talvez mude completamente de opinião quando tiver a chance de ficar por lá mais tempo e aprender a dominar o local, mas, olhando de longe, não sinto a menor vontade de fazer isso.

No entanto, se sexta-feira retornar a São Paulo sem dengue e sobreviver a mais uma travessia da Linha Vermelha de madrugada, já estarei feliz. Aí é começar a me preparar para uma nova aventura européia em junho.

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