Quarta-feira, 10/Setembro/2008...20:39

O Metallica novo é legal. E isso já é o suficiente.

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St. Anger era um prenúncio – escroto, é verdade -, tocar o Master of Puppets na íntegra três anos atrás, a ausência de faixas dos discos mais novos nas tours, chamar Rick Rubin para produzir. Tudo entregava que o Metallica ia buscar a aprovação da ala mais “metal” de seus fãs com o novo trabalho. E Death Magnetic se prestou unicamente a isso. Com sucesso. Mas sem lá muita inspiração.

É plenamente compreensível que o Metallica não tenha o fogo do passado. De um monte de bêbado cheirador em São Francisco, hoje são superstars milionários de Lalaland. Jamais alguém que saía de chinelos carregando um pacote de roupas de uma loja de grife vai conseguir escrever “Phantom Lord” de novo. E, sabiamente, a banda não tentou fazer isso.

Fez o que estava ao seu alcance. Pegou todas as suas influências, jogou-as num liquidificador e, disso, tentou compor músicas mais pesadas. Conseguiu. O problema é que nenhuma soa como um clássico. Apesar de todas manterem um nível de qualidade meio raro nos últimos trabalhos da banda, há pouca coisa memorável – apenas “That was just your Life”, “The Day that Never Comes” e “All Nightmare Long” podem passar no teste do tempo. Não trocava nenhuma por “Bleeding Me” ou “The House Jack Built”, do tão criticado Load.

O mais legal de Death Magnetic é o clima de diversão. Se St. Anger parecia um martírio de idéias – algumas muito boas, como “Frantic” e “Sweet Amber”, mas tudo cercado de um sofrimento absurdo, como bem documentado em Some Kind of Monster -, o novo álbum é legal. Você percebe a banda com tesão pelo que fez, deixando Kirk solar à vontade, trocando bases o tempo todo, com vocais gritados, letras sem lá muita pretensão. Para a tour atual, até é possível encaixar os clássicos do Metallica com faixas novas num setlist sem soar forçado. Esse é o maior elogio possível a um trabalho de um novo dinossauro.

No entanto, falta inspiração. Compreensível. O Metallica não é o Testament, que precisa lançar um disco fantástico para justificar sua existência (e The Formation of Damnation é isso e muito mais!). A trupe de Lars e James apenas quer continuar na estrada, fazendo seus milhões por show com um motivo legal para fazer isso um pouco diferente de modo a não perder a graça. Conseguiram com Death Magnetic. E basta.

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