Num dia em que não me sinto 100% bem, falemos de duas coisas não muito agradáveis.
Primeiro é essa putaria do show do Queen+Paul Rodgers no Brasil. Difícil divulgar o valor dos ingressos há menos de uma semana do início de sua venda, isso se começarem mesmo a vender sábado, dia 4. Estou meio seco para comprá-los e, dependendo do preço, arriscar duas noites de show. Um evento dessa magnitude no Via Funchal é para ver quantas vezes forem possíveis – Paul Rodgers mestre!
Mas o principal para falar é da Inglaterra mesmo. País odioso. Fui para lá nas minhas férias em junho, passei quatro dias, o suficiente para me deixar com muita raiva do país.
Para começar, o tempo. Apesar de ser final de primavera, início de verão, a região onde estive (Manchester, Birmingham e Liverpool) estava fria e chuvosa. Ou seja, no máximo 12°C com aquela constante garoa, vez ou outra se transformando em chuva forte, para atrapalhar tudo. Eu gosto de tempo assim, mas quando se faz turismo, isso só atrapalha.
Isso sem contar o fato de que as libras esterlinas são um extremo pé-no-saco. Obriga a ficar fazendo conversões idiotas, procurar casas de câmbio com boas cotações e, mesmo assim, tudo fica muito caro – perde-se dinheiro quando se adquire a moeda, quando a vende, quando compra qualquer coisa por lá, de uma garrafinha de Coca-Cola e uma passagem de ônibus a um CD ou cartão postal de lembrança.
Sem contar o fato de os albergues serem mais caros em relação ao resto da Europa, e não terem 10% da qualidade dos outros (banheiro no quarto é um luxo ao qual não me permiti ter) – a única coisa a me impressionar foi um tipo de sabonete com o qual você lava a mão sem precisar de água ou toalha. Não sei como é feita a gororoba, mas realmente me deixou com a sensação de mãos limpas.
Ruim mesmo, no entanto, foi na alfândega. É um saco ser entrevistado como se fosse um potencial imigrante ilegal. Perdi uns 10 minutos ou mais – a noção de tempo foi embora junto a ele – sendo inquirido por um fiscal chato e indolente, num diálogo mais ou menos assim – em itálico, o que a cara de cada um tentava expressar:
- Bom dia senhor, o passaporte. (Mais um desses inúteis latinos pensando que vão nos enganar só por entrar na terra da Rainha via Suíça).
- Aqui está. (Que saco, espero que vá rápido).
- É a primeira vez em que o senhor vem para o Reino Unido? (hmmm, passaporte verdinho… deve ser falsificado… como todos. Pelo menos não quis jogar um comunitário para bancar o europeuzinho).
- Não, vim uma única vez antes, em 1999. (Ok… acho que isso pode demorar um pouco).
- Estranho, não vejo nenhum carimbo do Reino Unido neste documento. (Hmmm, esse aprendiz de gente quer me enganar!).
- Este passaporte foi emitido em 2004, os carimbos estão no documento anterior. (Acho que esse cara é burro)
- E posso ver esse documento antigo? (Acredito em tudo que vc me falou, ignorante!)
- Não o trouxe. Desculpa, eu não sabia que precisava apresentar documentos expirados. (Da próxima vez eu trago todos os documentos em português, aí vc finge que consegue ler).
- Ok, sem problemas. O que o senhor veio fazer no Reino Unido? (Seu inseto do terceiro mundo filho da puta. Veio trazer sua sujeira para cá por quê?)
- Eu venho em turismo. Ficarei alguns dias aqui na Inglaterra. (O que mais vc acha, estúpido? Que eu ia te contar que vou morar aqui, caso fosse essa a minha intenção?)
- Sim, e onde o senhor vai ficar? (Quer me enganar, bicho nojento? Vamos ver se tem como me mostrar que não vai dormir na rua das nossas maravilhosas cidades)
- Aqui está o endereço dos albergues. (Que saco. Será que isso vai durar muito? Estou cansado e ainda tenho um show pra ver à noite)
- Ah, sim. Aqui eu vejo que o senhor tem albergue reservado até a próxima quinta. Posso ver sua passagem de volta? (BINGO! Já vou começar a chamar os federais pra enfiar esse sujo no próximo vôo de volta àquela selva!)
- Está aqui, senhor. (Felizmente não deixei meus papéis na mala que eu despachei, senão seria um saco explicar isso para essa anta à minha frente)
- Hmm, pelo que vejo aqui, o senhor volta por Stuttgart, estou certo? (Achava que eu não fosse perceber que o senhor tem uma passagem que não vai embora de nossa terra sagrada?!)
- Sim. (É… o senhor sabe ler! Vai demorar isso muito ainda?)
- Mas, se o senhor está em Manchester, como vai pegar o vôo em Stuttgart? (Cheque-mate! Brasileiro burro! Vai ficar preso na imigração… que horas é o próximo vôo para Buenos Aires?!)
- Eu vou viajar pelas próximas duas semanas na Europa. Aqui estão os comprovantes dos vôos já agendados. (Ainda bem que os papéis não ficaram na mala… imagina explicar isso sem provas)
- Hmmm… vejo que o senhor tem um vôo saindo de Paris para Munique. Mas só vejo comprovante de vôo de Liverpool para Nantes. Como vai fazer? (Cheque-mate! Sai da minha frente resquício dos primatas!)
- Vou de trem. (Dãããããã)
- E onde está a passagem? (O cara não desiste?! Não vai entrar na minha terra amada! Volte para os macacos!)
- Não a comprei ainda. Há trens de hora em hora saindo, vou comprar quando estiver na estação. (dããããããã de novo)
- E como pretende pagar suas contas aqui na Europa? (haha, vou jogar verde pra ver se ele me confessa que vem trabalhar de batuqueiro ou garçom aqui!))
- Eu já paguei a maior parte dos gastos pelo cartão de crédito no Brasil, mas ainda trouxe dinheiro e cartão de crédito para outros que julgar necessário. (Só falta me pedir pra mostrar dinheiro agora, né?)
- Ok (falando em garçom, estou com fome, vamos acabar isso logo) - carimba o passaporte – aqui está seu documento. (Não te peguei agora, mas uma hora quem sabe algum policial atira no senhor no meio da rua e quero ver agora falarem que foi por engano!)
- Obrigado. (seu burro, como turista na Comunidade Européia, só tenho direito a três meses de permanência, e vc me deu permissão para ficar aqui por meio ano! Tanta pergunta idiota pra fazer cagada na saída. It made you a moron, a potent H bomb…)
Olhe para a minha cara de quem planeja voltar para a Inglaterra… There’s no future in England’s dreaming…