Segunda-feira, 17/Novembro/2008...19:31

Patético

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Já deu no saco essa lenga lenga de que o campeonato brasileiro é sensacional. Não é. Não está nem perto de ser. E falo isso com a isenção de um corinthiano, longe da disputa, e admirador de uma coisa rara nesse certame, o futebol, algo difícil de se encontrar nesse emaranhado de mediocridade chamado Brasileirão.

A imprensa vem perpetuando imensas bobagens. Dizem que o nível técnico do Brasileirão é igual ao de um campeonato europeu. Bom, fiquemos com o decadente e “retranqueiro” Calcio. Obviamente, uma partida entre Chievo e Udinese tende a não ser grande coisa. Mas, dirão os Iludidos, Inter e Udinese foi um porre. Sim, foi. Mas há uma imensa diferença.

Quando Inter e Udinese se enfrentaram, havia tentativas de jogadas: de um lado, uma defesa forte que, de modo limpo, tratava de fechar os espaços e obrigava os atletas de alto nível do adversário a se desvencilhar de uma marcação acirrada. O jogo fica chato? sim. Mas bem disputado. E, quando um drible acontece, ou uma tabela dá certo, é linda. Vale a espera por esse momento de desafogo.

Isso não ocorre no Brasil. Normalmente, um time de medíocres fica tentando lançamentos para pegar uma defesa instável mal postada. Ao tentar uma jogada no meio-campo, é falta na certa. E, na cobrança da infração, bola para área, forçando as terríveis saídas de gol dos arqueiros brasileiros, ou o péssimo tempo de bola dos defensores.

Não à toa, o líder do campeonato, o São Paulo, tem um goleiro cujo maior mérito é jogar com os pés – significa saber lançar diretamente o atacante sem depender de jogadas dos meias – e grande parte de seus tentos surge ou de cruzamentos de qualquer lugar do gramado, ou de chutes de média distância, o máximo que um meio-campo medíocre consegue evoluir antes de ser caçado nas faltas, muitas vezes inexistentes, mas por isso se faz necessário possuir um velocista perito em simulá-las, responsáveis por nosso maior produto de exportação e por formar nosso imenso quintal de refugos das grandes ligas européias.

O outro candidato ao título restante, coitado, depende de seus volantes (boas revelações, mas ainda sem tarimba) conseguirem jogar e avançar ao campo adversário, pois lhe falta um atacante de nível mínimo para definir as partidas. A criatividade sofre tragicamente nos pés de um jogador cuja maior marca é a instabilidade. Sorte é possuir uma defesa que, diferentemente das demais, falha pouco e apostando nos erros adversários, somam-se pontos preciosos . Se dependesse da capacidade de seu treinador antever alguma alternativa tática para vencer os oponentes, estaria na pasmaceira.

Claro, se o nível não é tão bom, resta-nos um campeonato muito equilibrado. Mas um nivelamento por baixo, sim. Em qualquer campeonato de pontos corridos decente, um time com chances de ser campeão na reta final do certame, ao jogar fora de casa contra um adversário desesperadoramente fugindo do rebaixamento, poderia até encontrar dificuldades, quem sabe, numa zebra gigantesca, perder – o normal seria que ganhasse, e bem (duvido que o Chelsea perderia para o Stoke City numa rodada decisiva, fosse o jogo no inferno). No Brasileirão’2008, ninguém se assusta de ver um postulante à taça tomar de cinco de um freqüentador assíduo da zona do descenso. Ou empatar em casa com um praticamente condenado à Série B de 2009.

Assim, temos um emocionante campeonato de futebol de botão. Assistir os jogos é desesperador. Se você está participando, sofre, xinga, e, quem sabe, vê gols, alguns, raríssimos, até bonitos, embora dificilmente bem construídos. No entanto, para aqueles sem maior interesse, tentar manter o foco nas partidas é pior do que ver três filmes seguidos da fase decadente dos Trapalhões com Gugu e Conrado e a ocasional participação da Xuxa. Resta, então, esperar os resultados da rodada e imaginar como é possível tanta baixaria num campeonato. Além de ouvir bobeiras do tipo, “o campeonato é emocionante”. Façam-me o favor.

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