Que rufem os tambores…
2. Machine Head – Unto the Locust
Dar sequência a um disco tão seminal quanto The Blackening era muito complicado. E, sinceramente, eu não esperava que o Machine Head conseguisse lançar algo do mesmo nível. Quando ouvi Locust, uma ótima música, pensei que seria apenas um bom álbum, nada antológico. Ao por as mãos e ouvidos em Unto the Locust, não precisou mais de 2min da faixa de abertura para perceber que eu estava errado. O Machine Head se mostra brigando com seus limites, tentando adicionar valor à sua música, não ficar preso na fórmula consagrada no trabalho anterior. E funcionou muito bem, pois o disco reflete uma banda amadurecendo sem perder agressividade, honestidade e, se possível, soando ainda mais sincera no que faz – refletido nas letras. O tempo encarregará de dizer se superou o antecessor, mas o selo de confirmação como estandarde do metal americano está garantido.
1. 40 Watt Sun – The Inside Room
Existem bandas que retratam com fidelidade a tristeza. E há quem mostre o sofrimento humano de um forma tão solene que o dia de sol com céu mais azul se transforma numa linda cerimônia fúnebre de um inevitável suicídio pela perda do amor impossível. Nessa categoria está o 40 Watt Sun. Em seu trabalho de estreia – apesar de estarmos diante de boa parte do finado Warning -, o grupo britânico apresenta apenas 5 músicas, a maior parte passando de dez minutos em lentas, doces e dolorosas procissões de um sentimento de impotência contraditoriamente contagiante, expondo uma fragilidade sublime, linda, como só conseguem os grandes artistas. O instrumental é um doom metal arrastado, mas não esconde diferentes texturas, arranjos densos perfeitos para acompanhar toda a tristeza na interpretação introspectiva confessional de Patrick Walker, com melodias fascinantes, cada verso puxando o próximo para um desenlace cativante e inesquecível. O disco demora para acabar, as músicas são declamações épicas, e, apesar de toda a tensão de se ouvir The Inside Room, sobra um apetite voraz por vivenciá-lo de novo. Como uma obra de arte atemporal, na qual o autor transmite uma sensibilidade muito acima do que conseguimos compreender e expressar. Essencial.